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Baía de Camamu

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Histórico

O município de Camamu teve origem em 1560 numa aldeia de índios tupiniquins. No entanto, é possível que muito antes o homem branco houvesse estabelecido contato com os indígenas dessa aldeia. Em Novembro de 1561, o padre provincial Luiz de Grâ a pedido de um índio cristão de Ilhéus, chamado Luiz Henrique, transferiu a aldeia mais para o Sul do local em que encontrava, fixando-a no lugar denominado ¨ Passagem do Macamamu¨ por ser de terras mais férteis e banhado por diversos rios. Nesse local foi fundada uma grande aldeia, congregando índios de outras menores, situadas em lugares distantes e quase inacessíveis , com o nome de ¨Aldeia de Nossa Senhora da Assunção De Macamamu¨, sendo presidida por dois religiosos jesuítas Fernão Cardim e o próprio Luiz de Grã, sendo no mesmo ano elevada à categoria de freguesia pelo Bispo D.Pedro Leitão, e filiada à vigararia de Ilhéus.

A 19 de Junho de 1631,por solicitação de Lucas Gerardes a Baltazar Ferreira Gavouto, lugar-tenente do 3 (terceiro) Governador da Capitania de Ilhéus, foi por João de Andrade transformada a Aldeia em vila de ¨Andrade¨, sendo construída casa de feitoria e nomeados os escrivães de justiça. Evidente que os jesuítas não se conformaram e enviaram diversos protestos, recorrendo ao judiciário. Após longa demanda, obtiveram sentença favorável dada pela Relação da Bahia em 16 de Agosto de 1644, do seguinte teor: ¨fôsse a Vila reduzida ao antigo estado de Aldeia e que os Capitães dos donatários não inquietassem ou perturbassem o colégio e pagassem as custas.¨.

Sendo a Vila próspera, contando já engenhos de cana e casas de farinha , pela situação fisiográfica num encosta frente à barra franca, que a tornava visível de pleno m ar, sofreu, no período de 1624 a 1640, diversas incursões por parte dos holandeses, com atos de pirataria. Em 1634, os holandeses encontraram tenaz resistência por parte dos aldeados que foram saqueados depois de dominados. Em 1637,Lichtardt mandou uma nau à aldeia de Macamamu, a qual ficou fundeada na barra em frente hoje Barra Grande; os macamamuenses, unidos aos índios barcelos, conseguiram ¨verrumar¨a embarcação pondo-a a pique. Enfurecido com esse ato Lichtardt, invadiu a aldeia, saqueando e incendiando os engenhos de açúcar e as casas de farinha. Foram tantos os ataques sofridos que os senhores de engenho com ajuda dos índios e escravos, entulharam os canais de acesso ao porto, com enormes pedras, assemelhando-se a verdadeira barragem sob as águas e até hoje existem, sendo difícil o acesso à Cidade de Camamu pelos rios Conduru, Tiriri Acarahy e Camamu.

Finalmente a antiga Aldeia de Nossa Senhora da Assunção de Macamamu foi elevada à categoria de vila com o nome de Camamu, sendo também criado o Município com o mesmo nome, por Carta Régia de D.Pedro II de Portugal, em 22 de maio de 1693, com as seguintes COORDENADAS GEOGRÁFICAS: 4 Graus 9' 12 " do Meridiano do Rio de Janeiro e 41 Graus 54' do meridiano de Paris, com 5Graus e 40" de declinação. Por ocasião do terremoto de Lisboa em 1755, no tempo do Marques de Pombal, Camamu remeteu gêneros alimentícios e madeiras para reconstrução da cidade. Em 1782, por ordem da Coroa de Portugal, o bandeirante João Gonçalves da Costa abriu uma estrada para seguir até as Minas Novas .

No Correio Mercantil, de 17 de agosto de 1854 dizia: ¨Convindo levar a efeito a estrada que está projetada da Vila de Camamu até Minas Novas, Comarca de Minas Gerais vencimento vou comunicar a V.M. que o tenho nomeado para encarregar-se um chefe da inspeção dos trabalhadores precisos à abertura da dita estrada, Joaquim Parente Esteves com o vencimento de 2$000(dois mil reis) por dia útil a principiar da Vila de Camamu por sem bom porto de mar, devendo cruzar com a que parte de Valença à província de Minas Gerais. A Guerra do Paraguai Camamu contribuiu com um corpo de voluntários de 65 homens, dos quais de destacou Gonçalo Martins da Silva, que galgou o posto de Coronel nas batalhas conquistadas. Em 1855 grassou no município a cólera-morbo, ceifando muitas vidas, superlotando o cemitério, sendo preciso que se fizessem sepultamentos ao redor da igreja matriz.

Com o advento da República a Câmara Municipal de Camamu enviou mensagem a 19 de novembro de 1889 ao Governador Virgílio Damásio, aderindo e jurando fidelidade ao novo regime, ao tempo em que se congratulava com o Governo pela Proclamação da República, assinando o Dr.Alfredo Martins da Silva, presidente, Manoel Antonio de Oliveira Pinto, secretário e Antonio Aristides de Moraes, José Bernardino Ribeiro da Silva Pirajá, Dionísio Rodrigues de Sena e Ciríaco Martins da Silva. A Vila foi elevada à categoria de Cidade no dia 27 de junho 1891,por ato do Governador José Gonçalves da Silva.

 

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Localização

A cidade está situada a 185 Km de Bom Despacho na Ilha de Itaparica Via Ferry-Boat e a 345 Km através da Br 101, no entroncamento da Br com a Cidade de Valença. A sede Municipal fica situada à margem esquerda do estuário do Rio Acarahy, baía de Camamu. LIMITES: Ao norte com Ituberá, pela Serra da Papuã, Rio Cachoeira Grande e estuário de Serinhanhem. Ao Sul e a Leste Com o Município de Maraú, pelo estuário de Maraú,Rio Santa Inez até sua nascente em reta até a ponte da Fazenda Araú, Serra dos Potes no seu ponto mais alto até o Rio Oricó Grande, passando pela foz do Ribeirão do Revez, prosseguindo até a Serra da Patioba cruzando Com o Ribeirao Dois Riachoes e o Município de Ubaitaba. A Oeste com o Muncipio de Igrapiuna. Possui a Segunda maior Baía e a terceira do Brasil, medindo aproximadamente 24 Km na sua maior largura e 43 Km de fundo. COORDENADAS GEOGRAFICAS: 13 G 57' 10" de Latitude Sul e 39G 08' 40" de Longitude W.Gr.Seu rumo, partindo de Salvador é N.N.E., da qual dista 124 Km em linha reta.

 

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Aspectos Sócio-econômicos

O Município é bastante montanhoso, cortado por inúmeros rios e ribeirões dos quais os mais importantes são: Rio Cachoeira Grande que desemboca no estuário de Serinhaém , depois de receber os afluentes: Serra Grande, Veados, Braço, Santa Luzia, Cainana e Fachos. É navegável até a altura da Cachoeira Grande hoje conhecida como Tremembé. Rios Igrapiúna, Camocim, Limeira e Pinaré que deságuam na baía de Camamu. Além desses existem outros menores como o Conduru,Gravatás,Barcelos,Santa Ines e Dois Riachões.

As principais Ilhas são: Ilha Grande com a maior população nativa. Pequena, Âmbar, Acurau,Sapo,Flores,Coqueiro,Tubarões, Tanque, Tatu, Barbadas. Recifes existem e são importantes conhece-los:Pedra Furada, Cavalo, Taipaba e Sororocuçu esse fora da Barra. Fauna e Flora extremamente diversificadas. Apresenta um rico ecosistema estuarino, com manguezais de grande potencial pesqueiro, restingas na borda litorânea, remanescente da Mata Atlântica.

A maior parte das vilas lugarejos e pequenos aglomerados nas bordas litorâneas carecem significativamente dos meios de transporte contando essencialmente com canoas a velas, alguns poucos barcos a motor, construídos na Vila de Cajaíba que até hoje possui descendentes diretos do período holandês na Bahia e que trouxeram a arte de esculpir barcos.

Deficiência maior diz respeito dos meios de locomoção para as famílias deslocarem-se , pois dependem fundamentalmente das marés, pois têm que andar algumas dezenas de metros na lama para pegar a canoa e irem até os barcos. Falta o essencial para essas populações ribeirinhas, a principal delas é a Via de Acesso , as pontes ou pontilhões e cais são obras indispensáveis pois independem das marés no ir e vir das suas atividades. Hoje outro grande problema na Baía de Camamu diz respeito a Educação e a Saúde. Restringe-se o atendimento de media complexidade na Cidade de Camamu sofrendo nas áreas mais distantes a falta do Serviço Médico. Alunos do Primeiro e Segundo Graus das localidades de Barra Grande, Ponta da Ingazeira, Sapinho, Taipu de Dentro, Tanques têm que estar preparados desde as quatro horas da manhã, todos os dias, para que de barco se desloquem até a Cidade de Maraú, e retornam as 12.30 hs todos os dias letivos. É por demais desgastante. Poderia aproveitar instalações que a Ceplac mantém no Campinho, para desenvolver um Projeto de Educar para Viver que seria um marco importante no desenvolvimento social. As populações ribeirinhas, usufruindo da fauna e flora dessa terceira maior Baía do Brasil até hoje concentra suas atividades econômicas na pesca, colheita do dendê, Coco, Pimenta, Cravo. A confecção artesanal de barcos para muitos poucos pois dependem da Mata e o Ibama cada vez mais impede essa secular prática. Enfim precisamos acordar e trazer benefícios concretos.

É indispensável um meio de subsistência e de sustentação para quando findar o período de alta estação os pequenos e micro empresários tenham como sobreviver. Uma das alternativas possíveis seria criação em cativeiro da fauna marítima, que não só beneficiaria aqueles, como também os nativos aumentando sua rentabilidade evitando a imigração e abrindo perspectivas para as novas gerações formando um novo ciclo de desenvolvimento econômico. Dessa alternativa, a Natureza jamais seria agredida, ao contrário, dela, obteria-se a possibilidade de auto sustentação e ao mesmo tempo preservando esse santuário ecológico para as novas gerações a usufruam da mesma maneira responsável.

 

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Potencial Turístico

O acesso para a Baía de Camamu dá-se por via terrestre pela Br 101,no Km 305 do entroncamento com Valença e no Km440 com Travessão, distando desse lugarejo 42 Km até a Cidade de Camamu.

Do entroncamento atravessa os Municípios de Valença a maior e mais desenvolvida do Baixo Sul; Taperoá, Nilo Peçanha, Ituberá, Igrapiúna e finalmente Camamu. Outro alternativa seria entrar em Ubaitaba na Br 101, antiga Itapira, e seguir pela Br 030, passando por Faisqueira e pelo Município de Maraú, chegando até Campinhos de Maraú.Percurso de 76Km em estrado de barro em péssimo estado de conservação. Por via Marítima entrando pela Barra com sinalização efetiva constando de bóias e Farois, um em Barra Grande outro no Morro do Taipu.

Sendo a terceira maior baía do Brasil possui infinitos atributos para um desenvolvimento ordenado no que diz respeito ao turista. Conscientização os habitantes de que o turista bem orientado previamente, dará sempre retorno econômico ao seu habitat, melhorando sua qualidade de vida.

Cumpre as autoridades ampliar suas atividades didáticas para com essa população, tanto de empresários como os próprios nativos. A Baía de Camamu hoje possui algumas pousadas e alojamentos para receber os turistas, a maior concentração dessas pousadas encontra-se na Praia de Barra Grande, Campinhos, Taipu de Dentro Ilha Grande Aldeia Velha, Gravatá, contra costa de Maraú, Cajaíba a maioria com acesso pelo mar. Essas pousadas e Mini hotéis oferecem culinária típica da cozinha baiana, passeios de barco, visitas às localidades vizinhas, enebriando o visitante com o primitivismo da baía. Comunicação por telefone fixo-rural, algumas possuem site na Internet todas com muitas dificuldades na manutenção fora do período de alta estação.

Além dos passeios de barco poderia desenvolver outras atividades, tais como pesca esportiva, mergulho, esportes aquáticos, observação dos golfinhos que vivem em harmonia com os nativos, enfim, os critérios somam-se a muitos outros que uma imensa Baía pode oferecer.

 

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Última revisão: Setembro 07, 2000.